Por: Renner Ramos*
A LUTA POR RECONHECIMENTO
No ano de 2018 assumi a direção do boi mirim Estrelinha, mas precisamente no mês de abril. Tínhamos apenas 2 meses para preparar a disputa daquele ano. Lembro-me das muitas dificuldades que tivemos e uma delas foi os "NÃOS" que recebemos de diversas pessoas quando íamos pedir patrocínios. O mais marcante foi a frase: "Existe bois mirins em Parintins?".
Cheguei em casa muito triste porém motivado a mudar esta realidade. Reuni os mais próximos, os que estavam à frente do boi comigo e determinei que a partir daquele momento teríamos que fazer um trabalho de reconhecimento da brincadeira dentro de nossa terra. Decidimos levar o Estrelinha pelos 4 cantos da cidade, todo convite que chegava aceitamos sem hesitar. Foram em escolas, arraiais, aniversários, eventos particulares e públicos. Assim começava a brotar a semente da valorização, do conhecimento e da firmação da brincadeira entre os ilhéus.
Fruto desse trabalho foram os convites para participação do boi em festas pelos interiores e logo em seguida já estávamos nos apresentando em outra cidade. A sensação de dever cumprido estava tomando conta mais era necessário fazer muito mais, era importante concretizar o boi mirim como fomentador de futuros itens e brincantes para Garantido e Caprichoso. Assim a luta continua.
Conseguimos abertura direta com o governo do estado; ganhamos editais da cultura; conseguimos recursos pela Aldir Blanc, etc.
Tudo isso graças ao trabalho de formiguinha lá atrás. Hoje vejo este reconhecimento ganhando força e se firmando. Quando ando pelo centro da cidade e me deparo com este muro pintado com a imagem dos três bois mirins da ilha me sinto feliz. Fica meu profundo agradecimento ao artista Miguel Carneiro por esta merecida homenagem.
Isto é apenas o começo de outras grandes conquistas que esta brincadeira de criança ainda terá pela frente.
Viva a cultura de Parintins!
Viva os bois mirins da Ilha!
Viva a nossa Arte!
*Prof. Renner Ramos - Presidente do boi mirim Estrelinha; vice-presidente do Conselho Municipal de Turismo; trabalhou como professor do ensino regular nas escolas Dom Gino Malvestio, Ryota Oyama e Senador João Bosco. Ministrou aulas de teatro na escola Gentil Belém. Atuou como diretor de coreografia e cênica nos bois Diamante Negro e Corre Campo (Nova Olinda do Norte), Touro Branco (Mocambo) e Jaraqui da Escama Grossa (Canumã-Borba).
Foi membro do grupo Garantido Show de 1999 à 2010; foi diretor cênico do boi Garantido durante 6 anos. Atualmente está atuando como instrutor de teatro no Liceu de Artes Parintins.
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