O Circuito Carnailha em Parintins abriu alas para o desfile dos Blocos Irreverentes no domingo de Carnaval, uma noite de folia que arrastou multidão embalada pelo show de criatividade, humor, sátira, fantasias criativas e alegria contagiante que reafirmaram a festa parintinense como a mais popular do Norte do Brasil.
No primeiro dia da disputa, os foliões elevaram o termômetro na avenida, abusando dos saltos, batons, maquiagens, saiotes e perucas coloridas. Os blocos brincaram com temas que apostaram desde a alegria do folião, ao exagero das fantasias e homenagens a personagens irreverentes. O resultado foi uma noite vibrante, onde a ousadia e o espírito carnavalesco não ficaram apenas na estética dos módulos alegóricos, mas também na narrativa, nas indumentárias fantásticas e em cada encenação que contaram histórias, provocaram sorrisos e reflexão sobre histórias de vida.
Mais do que entretenimento, o Carnailha consolida-se como manifestação cultural que fortalece vínculos comunitários, movimenta a economia criativa e mantém viva a tradição de celebrar com humor, crítica e pertencimento o Carnaval de Parintins.
Foi essa alegria que contagiou o prefeito Mateus Assayag e a vice-prefeita Vanessa Gonçalves que participaram da maioria dos desfiles. Na abertura, o prefeito entregou a chave da cidade à Corte do Carnailha e brincou com o bloco dos idosos.
Mateus estava feliz com o sucesso do Carnailha e com o público que mais uma vez lotou o circuito. Este ano a Prefeitura de Parintins investiu cerca de R$ 2 milhões no evento.
“Estou muito feliz. A avaliação dessa primeira noite é sensacional, muito positiva, alegria contagiante, felicidade que não cabe no peito. Muita diversão em todo o Circuito Carnailha”, comemorou o prefeito. Ele destacou a estrutura montada especialmente para o evento. “Montamos uma mega estrutura de arquibancadas, camarote, segurança, praça de alimentação, organização de entrada e saída, com backup de energia pra qualquer eventualidade que a gente possa ter. Parintins realiza o maior Carnailha de todos os tempos, que se consolida a cada ano como segundo maior evento turístico de Parintins, além de trazer alegria, animação, felicidade”, festejou.
Mateus Assayag também contabiliza os resultados positivos com a geração de emprego e renda. “O Carnailha aquece a economia e melhora a vida de muita gente com o turismo. Com toda certeza o evento está se consolidando cada ano que passa. É uma felicidade ver o Circuito Carnailha lotado, os blocos estimulados, o público cantando os sambas enredos. Eu fico realmente muito feliz como prefeito viver esse momento de alegria em um domingo de Carnaval”.
A vice-prefeita Venessa também estava eufórica e feliz participando dos blocos e empolgada com o sucesso do Carnailha. Ela fez questão de valorizar cada bloco marcando presença com sua alegria.
Desfile dos Blocos Irreverentes
Sete blocos disputaram o título da Chave Irreverente. Os foliões capricharam na criatividade e fizeram do desfile um verdadeiro espetáculo popular.
Invasão na Folia
Abrindo o desfile, o Bloco Invasão na Folia trouxe para o Circuito Carnailha o tema “Xê-Gay”, exaltando o folião que
“chega, chegando”, “calando a
boca de quem está torcendo contra”.
Com muita irreverência, alegria, fantasias coloridas, a Comissão de Frente representou os Bobos da Corte, estilizados com irreverência, combinando “salto alto e leque”, que é um símbolo poderoso de resistência, força, identidade e celebração da cultura LGBTQIAPN+.
A rainha do bloco, kevillyn Barbosa, 22 anos, moradora de Vila Amazônia, representou a força da diversidade que o Interior traz em sua bandeira de luta, personificada em alegria e resistência.
O presidente Éferson Cruz, comemorou a festa e o arrastão do Invasão na avenida.
Os Belezuras
“Amílcar Bentes Comandando Parintins” foi o tema do Bloco Os Belezuras, em homenagem ao empresário do setor de transporte hidroviário na região do Amazonas, especialmente Parintins, há 50 anos.
Com muita alegria e descontração, o bloco retratou a festa no coração da Amazônia, onde o rio é estrada, o boi é resistência cultural e Amílcar Bentes o comandante irreverente, carismático e popular. O empresário desfilou ao lado de familiares e amigos na alegoria que trouxe o Navio Parintins para a avenida.
O bloco assumiu o leme da alegria e transformou Parintins em um grande território de fantasia, humor e celebração.
Amílcar Bentes comandou o desfile com sorriso, liberdade e irreverência, ao lado dos bois o Garantido e o Caprichoso.
A Comissão de Frente trouxe personagens como capitão, marinheiro e guardiões da navegação, seres imaginários que vestiam figurinos com elementos em led em referência às águas, representando o universo mítico e lendário, simbolizando a alma da navegação. O arrastão fez a alegria do público.
As Tiazinhas
O Bloco As Tiazinhas contou a própria história no Carnailha com o enredo “Do Sujo ao Luxo”, retratando o início da brincadeira entre amigos.
Com muita criatividade, a Comissão de Frente contou a história de como tudo começou nos carnavais dos anos 90, quando o evento era realizado na rua
Boulevard 14 de Maio com a apresentação dos blocos de sujo.
A rainha, Josué Prata, conhecida na ilha como “Josiella Mullata Tawana”, representou a transformação das fantasias de carnaval para os anos atuais.
As Tiazinhas comemoraram 26 anos de fundação com mulheres ocupando posições estratégicas de gestão, criação e articulação cultural, reafirmando o protagonismo feminino e o fortalecimento do bloco.
As alas abusando da irreverência e do colorido com porta-bandeira, representada por Weller Nascimento, baianas, brincantes com maisena e máscaras de carnaval dos anos 90.
O carro mostrou a evolução da parte alegórica ocorrida no tempo. Em 1999, os carros alegóricos dos blocos de sujos eram confeccionados em cima de triciclos (transporte de carga muito usado em Parintins) com base em 3 rodas, não era
permitido roldanas. Com o passar do tempo evoluiu para carro alegórico. Hoje os carros alegóricos são formados por muito luxo, brilho, movimentos e adereços.
Pantera Cor de Rosa
Com o enredo Gabi Guarani “A Guerreira da
Diversidade”, o Bloco Pantera Cor de Rosa levou para o Circuito Carnailha a homenagem a Gabriela Guarani, parintinense trans e indígena que se tornou símbolo de identidade, coragem e representatividade. A festa dos Panteras foi
carregada de significado social e humano, exaltando a história de Gabi, que enfrentou dificuldades, desafios, mas superou a cada dia atuando como dançarina, artista, blogueira e ativista da causa trans.
O pai descendente de Guarani,
comunidade Surubiú no Baixo Tapajós, a mãe de origem ribeirinha da comunidade do Aduacá em Parintins.
A homenageada levou para a avenida a força Guarani, o amor pelo Boi Caprichoso, e o grupo de dança CDC.
A Comissão de Frente foi representada pelas “Guerreiras da Diversidade”simbolizando a resistência, a coragem da homenageada e sua luta contra a transfobia.
A rainha Wendy Delevingne representou uma revoada de borboletas, um dos símbolos da comunidade transgênero mostrando sua transformação e
renascimento.
A chuva que caiu na avenida no final da apresentação do Panteras e uma queda de energia só reacenderam a alegria do povão embalado pela marchinha que dizia: eu quero ver tu se rasgar/ quando a Gabi passar/ se tu não é Pantera Cor de Rosa/ tu não é gostosa.
Lagarto Salgado
Com a multidão embalada pela marchinha irreverente, o Bloco Lagarto Salgado empolgou com o enredo “O traficante chegou: Wanderley Andrade vem purpurinando a avenida com o pó do amor”.
O bloco do bairro da Francesa apostou na
mistura de irreverência, luxo e muito ritmo ao escolher homenagear o cantor Wanderley Andrade, um dos ícones da música popular do Norte do Brasil.
Conhecido pelo estilo irreverente, performances cheias de humor e forte conexão com o público, o enredo sobre Wanderley representou o espírito do bloco: alegria, luxo e festa.
A Comissão de Frente veio com cabelos coloridos em azul e vermelho, ao estilo do cantor, transportando os membros para dentro de uma cadeia, destacando um dos maiores sucessos do homenageado.
A rainha Yanka Ayumi, personificou a guardiã do pó do amor com muito samba no pé. Um coração se abria na avenida relevando a rainha.
O lagarto, símbolo do bloco, trouxe uma
capa gigante que se transformou no maior estandarte, a bandeira LGBTQIAPN+.
A ala "O Arco-Íris da Diversidade" se apresentou escoltada por uma legião de apaixonados "Policiais do Amor".
Chitara da Chapada
A Chitara da Chapada, bloco que empolga na ala do arrastão, escolheu para este Carnaval o tema “Folias do Rei Davi: O Canto de Ouro na Realeza da Chapada”. Foi um desfile carregado de emoção contando a história do “Rei David" ou "Uirapuru da Amazônia".
A Comissão de Frente vestiu o figurino de “Yags felinas aladas” com asas coloridas simbolizando as mariposas da noite num luxo de magia e beleza. A comissão levou a assinatura de artesãos parintinenses comandada pelo carnavalesco Waldir Santanta, destaque do Festival Folclórico de Parintins que por 30 anos atuou como item pajé do Boi Bumbá Caprichoso. A comissão foi formada por rapazes da própria comunidade que integram a equipe do Chapada Futebol Clube time de futebol do bairro.
As fantasias de oncinha dominaram o desfile e um tripé com uma grande onça em movimento foi base para a dança da rainha Melissa Maia Medeiros que brilhou pelo terceiro ano consecutivo.
David Assayag desfilou no chão ao lado dos bois Caprichoso e Garantido.
O arrastão cantou o refrão tradicional da Chitara contagiando a multidão.
Os Piratas
“A Pinga que Anima, Transforma e Revela o Folião” foi o tema que eletrizou a passagem do Bloco “Os Piratas” fechando a noite de apresentações na primeira noite de folia.
O bloco fez um convite aos foliões para navegar em um mar de alegria e muita
descontração.
Em 2026, o bloco apostou em um enredo para destacar a bebida
que atravessa gerações, inspira histórias, une amizades e “solta” até o folião mais tímido da avenida. A inspiração nasceu no dia da vitória de 2025 e o bloco soltou a alegria em busca do bicampeonato.
Na avenida, o enredo ganhou forma em fantasias irreverentes, personagens caricatos, cores diversas e
coreografias bem-humoradas, que deram vida aos exageros e às transformações provocadas pela Pinga, sempre celebrada com alegria e moderação. Cada segmento do desfile contribuiu para a construção
da narrativa festiva, conduzindo o público por uma jornada visual e simbólica que culmina na grande revelação carnavalesca, o arrastão.
A chuva lavou a alma dos foliões no final dos desfiles. O público que participou nas arquibancadas, mesas, camarotes, energizou com as apresentações, celebrando os grandes espetáculos que só os artistas do Carnailha e o povo parintinense sabem proporcionar.
Texto: Peta Cid - SECOM
Fotos: SECOM
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