Por: Jenner Carneiro
Reza o folclore popular em Parintins que o nome do Lago do Zé Açu nasceu de uma pescaria entre amigos. Foi um dia de fartura: peixes de várias espécies enchiam as redes. Perto da cabeceira do Inferno, decidiram fazer uma piracaia — assar os peixes maiores para ganhar força, revigora.
Zé, o mais velho do grupo, deitou para um cochilo, enquanto um rapaz mais jovem ficou responsável pelo assado. Logo o cheiro bom da lenha e do peixe começou a se espalhar. Com fome, o rapaz resolveu chamar o amigo:
— ZÉ ASSU!
Em vez da forma correta “assou”, saiu “assu”. Essa junção de vogais é comum na Amazônia desde o período colonial — como quem diz “eu vu” em vez de “eu vou”. Assim, nasceu a versão popular do nome, que até hoje circula em diferentes variações.
Pesquisadores como o Cônego Bernardino e J. Barbosa Rodrigues registraram grafias antigas como José Assu, mostrando como o nome mistura o português com o Nheengatu (língua geral amazônica). “Açu”, em tupi, significa grande. Ou seja: José Grande.
Ao longo dos séculos, a grafia mudou, mas a essência permaneceu: o lago leva o nome de José, homem de porte grande, alto, forte. Não por acaso, muitas famílias originárias dessa região são conhecidas por sua imponência — “cada caboclo purrudo”.
Esse é apenas um dos muitos relatos sobre a origem dos nossos topônimos. Já escrevi sobre o Uaicurapá. Mamuru, Caburi, Aduacá, sigo pesquisando para resgatar a ancestralidade que molda nossa identidade.
Se você também tem histórias ou memórias sobre os nomes dos lugares de Parintins, compartilhe! Nossa cultura vive quando contamos e recontamos nossas origens.
Jenner Carneiro | Professor Me. do Sistema Municipal e Estadual de Educação, ativista social e político, historiador autodidata.
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